Durante a visita ao MAUC - Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, visita que, ao contrário das minhas expectativas, foi bastante interessante e instigante, foi passada uma atividade onde teríamos que escolher uma das obras expostas e fazer uma análise de acordo com os conceitos vistos do capítulo 2 do livro Semiótica Aplicada, de Lúcia Santaella, que fala sobre o percurso usado para a análise de um signo de forma semiótica, passando por três etapas: contemplação, discriminação e generalização.
A obra que escolhi foi Flores para Henrique, de Francisco Wagner, uma obra que nem estava muito perto das outras obras expostas do autor, parecia mais ser um dos quadros de decoração da recepção, mas, desde o primeiro momento que a notei, ela imediatamente me chamou a atenção. Agora vamos à análise.
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| Flores para Henrique 2012 óleo sobre tela 80x80 cm |
É bastante complicado separar todas as etapas que a autora sugere no livro, até porque, como ela mesmo cita, estamos acostumados a fazer uma análise rápida sobre tudo o que vemos no nosso dia-a-dia, não é habitual que paremos e separemos os "estágios" semióticos de um objeto. As etapas em que ela divide são:
- Contemplação: um momento que é muito próximo à primeiridade apenas de percepção do signo, atentando às suas características qualitativas;
- Observação: onde começaremos perceber o signo e interpretar seus limites;
- Generalização: onde formularemos conclusões a respeito daquele signo.
No momento de contemplação o que mais me chamou a atenção nesse quadro foram justamente as cores, a quantidade de cores, a vividez, força, não tinham como ser ignoradas. Quando cheguei mais perto do quadro para melhor analisá-lo, meio que inconscientemente me desliguei de qualquer significado que ele pudesse querer passar e fiquei por alguns momentos perdida naquele mar de cores.
E, então, passo para o momento de observação, até o momento não tinha visto o nome da pintura, "Flores para Henrique", fiquei tentando adivinhar que formas aquelas linhas compunham, numa vista rápida achei que fosse um incêndio, ou pelo menos algo com fogo, pois a cor vermelha é bem presente no quadro, mas depois de prestar um pouco mais de atenção, percebi as flores muito vermelhas contrastando com o céu azul do fundo.
Na etapa da generalização a coisa complicou um pouco, pois fiquei tentando achar o real motivo do artista ao pintar essa obra, pesquisei um pouco sobre o assunto, mas foi sem sucesso. Então, o que me restou foi dar minha própria impressão sobre a pintura: durante a visita, o guia nos falou que esse pintor tinha nessa exposição, em sua maioria, obras para simples decoração, obras que eram belas por si só, sem muito a refletir por trás disso, mas, ainda assim é difícil conceber que não há um significado mais profundo por trás dessa pintura, a beleza das rosas de uma perspectiva que, para mim, parece falar do quão pequenas são as coisas comparadas àquelas flores, àquela beleza, o ângulo em que as flores são vistas me mostra isso, talvez essa interpretação esteja longe da real intenção do pintor, mas essa foi a impressão que essa obra me deixou.
Em resumo, "Flores para Henrique" é uma obra belíssima de Francisco Wagner que pode funcionar tanto para aqueles que só querem enxergar a beleza das flores, quanto para quem quer enxergar algo mais.

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