terça-feira, 16 de abril de 2013

Fichamento - "O que é Semiótica?" - Parte I

Durante a primeira parte do livro "O que é Semiótica?", 
Lúcia Santaella dá
(Fonte: http://baixarbonslivros.blogspot.com.br/)
uma introdução em torno do que se trata esta ciência e de como ela nasceu. 



Semiótica sendo citada como "a ciência geral de todas as linguagens"  (p1), acaba por ser fator de confusão entre muitos leigos no assunto ao se depararem com seus primeiros conceitos. Por esse motivo, logo na primeira página, ela começa por diferenciar a linguística da linguagem.

"(...)Antes de tudo, cumpre alertar para uma distinção necessária: o século XX viu nascer e está testemunhando o crescimento de duas ciências da linguagem. Uma delas é a Lingüística, ciência da linguagem verbal. A outra é a Semiótica, ciência de toda e qualquer linguagem.(...)" (p1)

Sendo assim, a linguística faz parte do grande universo que é a Semiótica, sendo tão importante quanto qualquer outro tipo de linguagem estudada por esta ciência. Mas, ainda assim, devido a semelhança entre os termos, linguística e linguagem, a confusão pode continuar, para solucionar isso, a autora passa a exemplificar e diferenciar as linguagens verbais e não verbais, destacando como estão tão presentes na vida de qualquer pessoa.

"(...)Somos uma espécie animal tão complexa quanto são complexas e plurais as linguagens que nos constituem como seres simbólicos, isto é, seres de linguagem.(...)" (p2)

Todos os dias, as pessoas são bombardeadas por uma série de diferentes linguagens, um quadro, uma escultura, um livro, uma foto, até mesmo um olhar de reprovação de um amigo, todos são exemplos de linguagens verbais e também não-verbais, não sendo um mais ou menos importantes que o outro.

"(...)O saber analítico, que essa linguagem permite, conduziu à legitimação consensual e insti-tucional de que esse é o saber de primeira ordem, em detrimento e relegando para uma segunda ordem todos os outros saberes, mais sensíveis, que as outras linguagens, as não-verbais, possibilitam.(...)" (p2)

Nesse ponto, a autora fala da visão de muitas pessoas como a linguagem verbal sendo a principal forma de se comunicar, de passar uma ideia, e portanto, a mais importante forma de se comunicar e, assim, como a autora, eu também discordo desse fato, pois, na minha opinião, a forma verbal pode ser a mais simples entre as formas, não dizendo que ela não é importante, mas acredito que linguagem verbal na maioria das vezes faz referencia a outros tipos de linguagem, na literatura, por exemplo, remete à linguagem visual, auditiva e muitas outras, quando um autor começa a descrever uma floresta e todas as sensações que o personagem tem ao passar por ela, ele faz uso dessas várias formas de se comunicar tendo por base a linguagem verbal. Com isso, quero dizer que várias linguagens podem trabalham juntas e a escolha do uso de uma, não descarta necessariamente o uso de outra.

"(...)Portanto, quando dizemos linguagem, queremos nos referir a uma gama incrivelmente intrincada de formas sociais de comunicação e de significação quê inclui a linguagem verbal articulada, mas absorve também, inclusive, a linguagem dos surdos-mudos, o sistema codificado da moda, da culinária e tantos outros. Enfim: todos os sistemas de produção de sentido aos quais o desenvolvimento dos meios de reprodução de linguagem propiciam hoje uma enorme difusão.(...)"(p2)

Nesse trecho, Santaella deixa claro o significado de linguagem mais um vez o exemplificado, de uma forma bem direta.

"(...)E claro que no sistema social em que vivemos estamos fadados a apenas receber linguagens que não ajudamos a produzir, que somos bombardeados por mensagens que ser-vem à inculcação de valores que se prestam ao jogo de interesses dos proprietários dos meios de produção de linguagem e não aos usuários.(...)" (p2)

Nessa parte, autora cita mais um dos usos da linguagem, muitas vezes usado por conteúdos midiáticos, como, por exemplo, comerciais de tv que se utilizam da Semiótica para poder encher seu vídeo com sugestões usando vários tipos de linguagem (audiovisual) para convencer o telespectador a comprar o seu produto. 

"(...)Nessa medida, não apenas a vida é uma espécie de linguagem, mas também todos os sistemas e formas de linguagem tendem a se comportar como sistemas vivos, ou seja, eles 
reproduzem, se readaptam, se transformam e se regeneram como as coisas vivas.(...)" (p2)

Achei essa frase de extrema importância para o conceito de linguagem, pois assim como a nossa própria língua falada e escrita se modifica (expressões novas surgem o tempo todo) e se adapta (a forma de se conversar quando está numa rede social, num jogo ou mandando uma mensagem de texto), isso também acontece com todo e qualquer tipo de forma de linguagem, elas mudam, se adaptam, se renovam tudo dependendo do meio, da sociedade, das pessoas que as usam.

"(...)Ora, entendera Lógica das ciências era, em primeiro lugar, entender seus métodos de raciocínio. Os métodos diferem muito de uma ciência a outra e, de tempos em tempos, dentro de uma mesma ciência.(...)" (p3)

Charles S. Peirce, uma das principais mentes por trás da ciência que chamamos de
(Fonte: http://www.arisbe.com/detached/?p=11)
Semiótica, buscava a lógica por trás de todas as ciências, seus métodos, suas formas, como se conduziam, como se comunicavam, basicamente, a linguagem que utilizavam. Para isso, ele acreditava que seria necessário ter um vasto conhecimento sobre diferentes campos da ciência para entender seu funcionamento e, assim, sua lógica. Mais tarde esse conceito de entender o fio condutor que levava as ciências, onde e como se ramificavam, seria aplicado à Semiótica peirceana. 

Peirce era um lógico apaixonado e irremediável (p4) e dedicou sua vida ao estudo da lógica por trás de quantas áreas científicas, ou não, quanto pode, chegando a levar o estudo lógico até aos campos que guardam a Filosofia, tentando desvendar o modo científico de analisar até mesmo uma área tão humana quanto essa.

"(...)O que Peirce na realidade postulava, como base do seu pensamento, era a teoria do crescimento contínuo no universo e na mente humana. "O universo está em expansão", dizia ele, "onde mais poderia ele crescer senão na cabeça dos homens?". Esse crescimento contínuo se alicerça, contudo, em bases lógicas radicalmente dialéticas, visto que o pensamento humano gera produtos concretos capazes de afetar e transformar materialmente o universo, ao mesmo tempo que são por ele afetados.(...)" (p5)

Nesse parágrafo foi bem ressaltado o caráter de mudança que cerca tudo o que está em volta do ser humano e, como catalisador desta mudança, temos o próprio ser humano que modifica ao mesmo tempo que é modificado. Aqui também vale lembrar o que Santaella havia falado antes da linguagem como algo vivo que se modifica constantemente (p2).

"(...)Suportada por esse modo de partir em estado de liberdade, a fenomenologia tem por tarefa, contudo, dar à luz as categorias mais gerais, simples, elementares e universais de todo e qualquer fenômeno, isto é, levantar os elementos ou características que pertencem a todos os fenômenos e participam de todas as experiências.(...)" (p7)

A Semiótica, portanto, se traduz como uma ciência que por ser tão ampla não consegue ter uma definição exata, mas é fundamentada na fenomenologia como o estudo dos signos de maneiras simples, elementares e universais, das partes que compõem a linguagem (fênomenos), da organização e da significância de cada uma dessas partes para compor o todo, ou seja, da lógica que as rege.

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